É útil para a aprendizagem dos alunos a utilização das novas tecnologias? É possível melhorar a aprendizagem do alunos em física, matemática,português,geografia,etc, utilizando o computador,a internet,a máquina fotográfica digital,o celular,etc?
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
OFICINA TABLET EM SÃO GABRIEL-DIREC 21
Os professores do Colégio Estadual João Durval Carneiro vivenciaram as práticas com o tablet. Realizaram os comandos básicos, como alterar as configurações, filmar, fotografar. Acessar a galeria, gerenciador de arquivos, etc. E o que mais chamou a atenção dos docentes foi a prática do tablet conectado remotamente ao Projetor Proinfo. Na sala de aula o professor manuseia o tablet e as imagens, textos e vídeos são mostrados simultaneamente na projeção do Projetor Proinfo, sem a necessidade de cabos ou fios. A oficina aconteceu ontem, 23 de outubro, durante todo o dia.
A PRÁTICA
![]() |
| Manuseio do projetor a partir doTablet |
O COLÉGIO
A CIDADE
O ALMOÇO
![]() |
| O PF, uma delícia: feijão, arroz, salada de palma e frango frito |
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Legendas para a vida
Queria que o mundo
fosse engolido pela paz
e corações de
crianças em adultos por toda a vida
Queria a sinceridade
das crianças por todo o tempo nos adultos
E o sorriso delas
para sempre nos adultos
Queria a serenidade
e a sabedoria dos idosos em todos os adultos
E somente flores nas
mãos de nossos líderes
Queria o beijo dos
apaixonados eternamente nos adultos
E o abraço eterno
das mães em todos os adultos
Para assim se
sentirem sempre protegidos
Queria ver a fartura
dos poucos para todos, por um mundo justo
Eu só queria um
mundo melhor pra criar nossos filhos
E se orgulharem dos
pais que tiveram
Simão Barros
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Educação Brasileira de Qualidade: Procura-se um Futuro-27/12/2010
Educação Brasileira de Qualidade: Procura-se um Futuro[1]
Contribuição da Associação Brasileira de Educação a Distância em continuidade à Carta aos Candidatos à Presidência, a ser apresentada à Equipe de Transição da Presidência da República Federativa do Brasil
UMA IDEIA
Este documento é uma contribuição adicional da ABED à carta aos candidatos à Presidência para renovar a esperança daqueles que se preocupam com a construção de uma visão de futuro para o Brasil. Seu nascedouro ocorreu no âmbito da interação construtiva entre professores e alunos universitários.
A confiança e a esperança do povo brasileiro em um futuro melhor associam-se, de forma estreita, a investimentos nos sistemas garantidores da estabilidade econômica e desenvolvimento com eqüidade e justiça social. Sabemos, todos, que a melhoria da qualidade de vida está diretamente relacionada à construção de uma sociedade com menos pobreza, mais igualdade de oportunidades e, sobretudo, mais educação e democratização do conhecimento. Do ponto de vista epistemológico o conhecimento é uma conquista e patrimônio individual, mas ao mesmo tempo, constitui um bem comum. A superação do paradoxo da individualidade versus coletividade do conhecimento é um dos principais desafios para a criação de padrões inteligentes que sustentem a prática e o sucesso das inovações.
A confiança e a esperança do povo brasileiro em um futuro melhor associam-se, de forma estreita, a investimentos nos sistemas garantidores da estabilidade econômica e desenvolvimento com eqüidade e justiça social. Sabemos, todos, que a melhoria da qualidade de vida está diretamente relacionada à construção de uma sociedade com menos pobreza, mais igualdade de oportunidades e, sobretudo, mais educação e democratização do conhecimento. Do ponto de vista epistemológico o conhecimento é uma conquista e patrimônio individual, mas ao mesmo tempo, constitui um bem comum. A superação do paradoxo da individualidade versus coletividade do conhecimento é um dos principais desafios para a criação de padrões inteligentes que sustentem a prática e o sucesso das inovações.
IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA MAIOR
Dentre os problemas estruturais que o Brasil enfrenta a crônica situação da qualidade da educação sobressai pela importância estratégica. Ao longo da história o País não levou a sério a educação de seu povo nem a escola das crianças, e enfrenta o Século XXI despreparado para a Era do Conhecimento, porque não realizou, até hoje, uma verdadeira Revolução na Educação.
O problema é secular, mas vem se agravando nos últimos 50 anos. Enquanto Espanha, Irlanda, Finlândia e Coreia do Sul assumiram seriamente a responsabilidade de se transformarem em Sociedades Instruídas obtendo pleno sucesso em 40 anos, o sistema educacional brasileiro acumulou problemas crescentes em todos os níveis e a educação básica esbarra na péssima qualidade comprovada em exames nacionais e internacionais.
O lançamento, em 2007, do PDE – Plano de Desenvolvimento de Educação é uma iniciativa meritória onde o Ministério da Educação tenta estabelecer um conjunto de ações para recuperar o tempo perdido e as seguidas oportunidades não aproveitadas. Todavia, sua formulação evidencia equívocos, despreparo e o descuido de diferentes governos com o planejamento da educação.
Um diagnóstico demonstra enorme passivo educacional em todos os níveis. O problema da Educação Infantil não foi resolvido, a qualidade no nível fundamental ainda não foi alcançada, o ensino médio não foi universalizado e não há matrícula suficiente na educação superior, especialmente pública, para incorporar um contingente significativo de jovens ao mundo da produção, geração de riqueza e do desenvolvimento. A recente proliferação de cursos superiores, sobretudo em faculdades privadas em áreas não tecnológicas, pouco elevou a qualidade e adequação da qualificação profissional.
Nesse quadro se salva a "ilha de competência" da pós-graduação o que também comprova a inversão das prioridades educacionais brasileiras. Nesta proposta sugere-se prioridade explícita para a Educação Básica de Qualidade. Para alcançá-la é necessária uma visão integrada que inclua desde a Educação infantil até a Pós-Graduação, além da educação profissional, da não formal e educação continuada.
CONTEXTUALIZAÇÃO E ANÁLISE
Educação é um investimento de futuro com resultados obtidos em longo prazo. Trata-se do único instrumento que, de fato, pode fazer frente de forma definitiva à pobreza, gerando desenvolvimento econômico e melhorando a qualidade de vida. Sabemos que a educação é um serviço que exige investimento contínuo e em larga escala em infra-estrutura material e pessoal qualificado, ai incluído professores, gestores e apoio administrativo. Reconhecemos o esforço do governo federal pela universalização. Entretanto, deve-se observar que este processo baseado na gratuidade e obrigatoriedade não é suficiente para produzir a qualidade para o País alcançar – como merece e necessita – uma participação mundial diferenciada, expressiva e soberana. Também, não basta apenas avaliar periodicamente o rendimento escolar na educação básica e superior sem efetivar ações corretivas que promovam a melhoria contínua.
Consideramos importante o conceito de qualidade na educação abrigar a idéia de que o "aprender a aprender" é resultado de um conjunto complexo de pré-condições, incluindo o domínio cognitivo pelo professor em compreender como o aluno aprende, retém e emprega o que aprendeu. O processo de aprendizagem constitui vasto campo de estudo na formação inicial e prática do professor e gestor educacional, podendo, ser complementadas durante formação profissional continuada.
As políticas públicas têm se voltado para valorização do professor aumentando salários e premiando o desempenho. Mesmo importantes tais ações ainda não conseguiram gerar bons resultados de aprendizagem nem organizar adequadamente carreiras baseadas no mérito. Investimentos em melhoria da infra-estrutura física e material das escolas são, sem dúvida, indispensáveis para o bom trabalho do professor, todavia, não são suficientes nem podem ser isoladas, pois necessitam correlação com ações de natureza gerencial.
Faz-se necessário pensar na quantidade de alunos que o professor poderá atender na educação básica. O grande número de alunos por sala de aula aliado à curta permanência na escola prejudicam a boa aprendizagem e inviabiliza o trabalho aprofundado de avaliação e acompanhamento. Nesse processo de "faz-de-conta" o professor não conhece seus alunos nem os guia de forma dirigida e individualizada conforme os modernos paradigmas da aprendizagem.
Os professores devem estar preparados para enfrentar a diversidade própria do processo educacional – as atuais faculdades de formação de professores não cumprem adequadamente sua função precípua –, e os estudantes necessitam vivenciar um ambiente com condições básicas favoráveis à aprendizagem.
A aprovação em 2006 do Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) foi um passo importante para a melhoria da educação básica formal. No entanto, a eficácia na aplicação de seus recursos financeiros deve melhorar para o alcance dos objetivos almejados.
Eliminar a defasagem educacional é um papel estratégico que a Educação a Distância pode muito bem exercer. Uma boa iniciativa do governo, por meio do MEC, foi a criação, em 2005, da Universidade Aberta do Brasil – UAB – até porque éramos o único país com população acima de 100 milhões de habitantes a não dispor deste tipo de instituição.
Embora o modelo até aqui adotado opte por um programa "fechado" e tradicional com oferta de cursos em áreas em sua maioria saturadas, tem-se a esperança de que evolua rapidamente para uma Universidade Aberta, de fato, e não apenas para a formação (indispensável) de professores. Esse anacronismo coloca em risco o principal objetivo da UAB como instrumento de redução das enormes disparidades sociais e inter-regionais. Devem-se aumentar as chances de ingresso, justamente, daqueles com mais dificuldade de acesso à educação formal em universidades convencionais, bem como, disponibilizar oportunidades de educação não formal.
A situação atual é preocupante, principalmente, para a maioria dos jovens pobres em situação de risco vivendo em cidades com pouca ou nenhuma infra-estrutura de equipamentos de esporte, cultura e lazer. Grande parte abandonou a escola ou a freqüenta (sem garantia que estejam, de fato, aprendendo) com significativa defasagem série/idade, e, apesar de buscarem, não conseguem emprego. Isso se deve, em grande medida, a pouca atratividade escolar, insuficiência na oferta de cursos profissionalizantes e orientação profissional e baixa efetividade das políticas públicas voltadas especificamente para esse segmento.
De maneira geral os governos estaduais e municipais ainda não priorizaram políticas públicas específicas para a solução dos problemas enfrentados pelos jovens. Há algumas ações pontuais na área social ou de segurança, mas, sem maior alcance e visão de médio e longo prazo. Neste ponto merece atenção especial a formação de jovens qualificados em um sistema de educação profissional continuada diretamente voltado à demanda do mercado.
Na realidade os jovens, em especial de baixa renda, são lançados à própria sorte vítimas e atores da violência urbana apontada nos indicadores sociais. São, também, vulneráveis à gravidez precoce indesejável e baixa autoestima sem contar com interlocutores que os auxiliem a buscar alternativas. Na origem do problema estão as famílias desestruturadas e a ausência da escola de qualidade para atrair e reter esse jovem no espaço de formação além do exíguo horário de aula.
O Brasil ainda não compreendeu a importância da sua infância e juventude na formação da cidadania, e, como conseqüência, as expõe à própria sorte: o problema é estrutural e começa pelo descaso com as crianças. O trabalho infantil, embora não seja fenômeno novo visto que desde o início da colonização crianças negras e indígenas eram incorporadas ao trabalho, é um dos principais desafios sociais e seu combate tarefa complexa. O cenário melhorou com o desenvolvimento econômico e intensificação, a partir do fim da década de oitenta, de medidas jurídicas, políticas e sociais visando à proteção contra o trabalho infantil.
Nesse contexto alguns pontos para reflexão: a) necessidade de atualização de dados e mapeamento das regiões e localidades com maior índice de trabalho infantil; b) fortalecimento das instituições sociais que desenvolvem ações direcionadas à formação educacional de crianças carentes; c) intensificação da avaliação e controle dos programas sociais direcionados às famílias de baixa renda nos municípios brasileiros, como a Bolsa Família, a Bolsa Criança Cidadã e o Programa Saúde da Família.
PROPOSTAS DE SOLUÇÃO
Políticas públicas para setores vitais da sociedade brasileira carecem de planejamento e gestão eficazes, prevalecendo a improvisação entre diversos setores e esferas do poder governamental. A área social apresenta carência generalizada: educação, saúde, segurança, habitação, saneamento e trabalho. Essa situação se reflete na precária infra-estrutura – estradas, ferrovias, portos e aeroportos, escolas e hospitais. O PAC e o PDE são boas medidas, mas ainda representam tentativas insuficientes em busca de acertos.
Na educação o diagnóstico é bem conhecido e dispensa-se replicá-lo à exaustão. Somente uma minoria privilegiada de 12% da população entre 18 e 25 anos chega ao nível Superior. Não podemos nos render ao fatalismo nem deixar o paroxismo engessar nossas ações.
O Brasil tem soluções para os problemas estruturais e apostamos na mudança e conscientização coletiva de que não é possível persistir o impasse atual. Dispomos de recursos humanos, financeiros, tecnológicos e farta criatividade, no entanto, urge estabelecer claramente prioridades e executá-las de forma eficiente e continuada. Basta começar, seriamente, pelo mais grave: educação de qualidade em regime de tempo integral. Nesse aspecto a Educação a Distância constitui manancial de soluções ainda não utilizado em sua potencialidade.
Queremos que nosso clamor ganhe voz e vez perante os futuros dirigentes, em especial da Presidência da República que tem gerido com eficiência a área econômica e financeira. Queremos que tal desempenho e prioridade cheguem à área social e educacional replicando-se as práticas inerentes ao modelo econômico com as devidas peculiaridades e adaptações. Soluções existem sem abandonarmos o êxito da economia: basta reverter a prioridade que transformará o País rentista em um Brasil instruído.
Nossa história reconhece poucos dirigentes associados a grandes realizações: Getúlio Vargas implantou as bases e deu início ao bem sucedido processo da industrialização; Juscelino Kubitschek ampliou estes caminhos e construiu Brasília. O Presidente Lula cravou seu nome ao diminuir desigualdades e retirar 30 milhões da pobreza. Agora, o espaço do País se firmar pela Revolução da Educação Básica de Qualidade continua aberto.
Queremos participar da solução dos problemas mencionados. Para isso, propomos instrumentos de diálogo entre o governo e a sociedade sem desconsiderar os espaços políticos existentes constitucionalmente estabelecidos. Eis aqui uma alternativa a mais, sem partidarismo, refrega ideológica ou interesses econômicos comprometedores. Queremos somar ações para multiplicar resultados e dividir responsabilidades para diminuir o sacrifício do povo brasileiro.
Precisamos mobilizar a juventude que deseja participar da real solução dos problemas como maneira de fortalecer a democracia brasileira de apenas 25 anos – idade média da maioria dos atuais universitários nascidos no limiar da Nova República. Não é mais possível adiarmos indefinidamente a derrota do crônico problema da qualidade na educação, solução definitiva para o País se agregar às Sociedades da Aprendizagem, da Informação, do Conhecimento e da Inovação. A educação de hoje e do amanhã, é, e será o futuro das nossas crianças e a certeza de um Brasil mais solidário, competente solidamente desenvolvido.
A complexidade das questões aqui abordadas exige a gestão integrada das políticas públicas. Historicamente, a prevalência da vertente econômica tende a conflitar com outras áreas de governo, enquanto a atual estrutura fortemente setorializada dos Ministérios dispersa e sobrepõe ações que obteriam melhor resultado se operacionalizadas de forma integrada. Todavia, é possível construir uma visão holística comum de nação na qual a interação sistêmica gere bons resultados retratando a conectividade e compromisso entre diversos atores e setores.
Aí está, em nossa visão, o papel estratégico das Sociedades Científicas como a ABED, colaborando com as ações do governo na construção e articulação de pactos que ultrapassem o limite mínimo de mandatos quadrienais. Políticas públicas efetivas exigem continuidade e prazo, do contrário o País perde a capacidade de reinventar-se e construir o futuro. Essa fórmula caracterizada pela continuidade e conseqüência a políticas de Estado foi responsável pelo sucesso alcançado na educação nos países citados.
Para nós, o futuro não é apenas uma categoria a ser estudada em profundidade; representa, acima de tudo, construir e alimentar a esperança.
A ABED propõe a utilização da EAD para cada nível e ciclo de aprendizagem colaborando efetivamente para a clamada Revolução da Educação de Qualidade.
A implementação desta Revolução exigirá um pacto democrático, com construção de mecanismos que, sem ferir a autonomia e a colaboração essenciais do Sistema Federal, dos Sistemas Estaduais e do Distrito Federal e dos Sistemas Municipais previstas na Constituição Federal e ratificadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, permitam as providências, de indispensável caráter emergencial, a serem tomadas em tempo pré-determinado, sob a coordenação de um órgão que reúna paritariamente o Poder Público, a iniciativa privada e a sociedade civil organizada.
Brasília 1° de novembro de 2010.
Prof. Dr. Fredric Michael Litto Presidente
O problema é secular, mas vem se agravando nos últimos 50 anos. Enquanto Espanha, Irlanda, Finlândia e Coreia do Sul assumiram seriamente a responsabilidade de se transformarem em Sociedades Instruídas obtendo pleno sucesso em 40 anos, o sistema educacional brasileiro acumulou problemas crescentes em todos os níveis e a educação básica esbarra na péssima qualidade comprovada em exames nacionais e internacionais.
O lançamento, em 2007, do PDE – Plano de Desenvolvimento de Educação é uma iniciativa meritória onde o Ministério da Educação tenta estabelecer um conjunto de ações para recuperar o tempo perdido e as seguidas oportunidades não aproveitadas. Todavia, sua formulação evidencia equívocos, despreparo e o descuido de diferentes governos com o planejamento da educação.
Um diagnóstico demonstra enorme passivo educacional em todos os níveis. O problema da Educação Infantil não foi resolvido, a qualidade no nível fundamental ainda não foi alcançada, o ensino médio não foi universalizado e não há matrícula suficiente na educação superior, especialmente pública, para incorporar um contingente significativo de jovens ao mundo da produção, geração de riqueza e do desenvolvimento. A recente proliferação de cursos superiores, sobretudo em faculdades privadas em áreas não tecnológicas, pouco elevou a qualidade e adequação da qualificação profissional.
Nesse quadro se salva a "ilha de competência" da pós-graduação o que também comprova a inversão das prioridades educacionais brasileiras. Nesta proposta sugere-se prioridade explícita para a Educação Básica de Qualidade. Para alcançá-la é necessária uma visão integrada que inclua desde a Educação infantil até a Pós-Graduação, além da educação profissional, da não formal e educação continuada.
CONTEXTUALIZAÇÃO E ANÁLISE
Educação é um investimento de futuro com resultados obtidos em longo prazo. Trata-se do único instrumento que, de fato, pode fazer frente de forma definitiva à pobreza, gerando desenvolvimento econômico e melhorando a qualidade de vida. Sabemos que a educação é um serviço que exige investimento contínuo e em larga escala em infra-estrutura material e pessoal qualificado, ai incluído professores, gestores e apoio administrativo. Reconhecemos o esforço do governo federal pela universalização. Entretanto, deve-se observar que este processo baseado na gratuidade e obrigatoriedade não é suficiente para produzir a qualidade para o País alcançar – como merece e necessita – uma participação mundial diferenciada, expressiva e soberana. Também, não basta apenas avaliar periodicamente o rendimento escolar na educação básica e superior sem efetivar ações corretivas que promovam a melhoria contínua.
Consideramos importante o conceito de qualidade na educação abrigar a idéia de que o "aprender a aprender" é resultado de um conjunto complexo de pré-condições, incluindo o domínio cognitivo pelo professor em compreender como o aluno aprende, retém e emprega o que aprendeu. O processo de aprendizagem constitui vasto campo de estudo na formação inicial e prática do professor e gestor educacional, podendo, ser complementadas durante formação profissional continuada.
As políticas públicas têm se voltado para valorização do professor aumentando salários e premiando o desempenho. Mesmo importantes tais ações ainda não conseguiram gerar bons resultados de aprendizagem nem organizar adequadamente carreiras baseadas no mérito. Investimentos em melhoria da infra-estrutura física e material das escolas são, sem dúvida, indispensáveis para o bom trabalho do professor, todavia, não são suficientes nem podem ser isoladas, pois necessitam correlação com ações de natureza gerencial.
Faz-se necessário pensar na quantidade de alunos que o professor poderá atender na educação básica. O grande número de alunos por sala de aula aliado à curta permanência na escola prejudicam a boa aprendizagem e inviabiliza o trabalho aprofundado de avaliação e acompanhamento. Nesse processo de "faz-de-conta" o professor não conhece seus alunos nem os guia de forma dirigida e individualizada conforme os modernos paradigmas da aprendizagem.
Os professores devem estar preparados para enfrentar a diversidade própria do processo educacional – as atuais faculdades de formação de professores não cumprem adequadamente sua função precípua –, e os estudantes necessitam vivenciar um ambiente com condições básicas favoráveis à aprendizagem.
A aprovação em 2006 do Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) foi um passo importante para a melhoria da educação básica formal. No entanto, a eficácia na aplicação de seus recursos financeiros deve melhorar para o alcance dos objetivos almejados.
Eliminar a defasagem educacional é um papel estratégico que a Educação a Distância pode muito bem exercer. Uma boa iniciativa do governo, por meio do MEC, foi a criação, em 2005, da Universidade Aberta do Brasil – UAB – até porque éramos o único país com população acima de 100 milhões de habitantes a não dispor deste tipo de instituição.
Embora o modelo até aqui adotado opte por um programa "fechado" e tradicional com oferta de cursos em áreas em sua maioria saturadas, tem-se a esperança de que evolua rapidamente para uma Universidade Aberta, de fato, e não apenas para a formação (indispensável) de professores. Esse anacronismo coloca em risco o principal objetivo da UAB como instrumento de redução das enormes disparidades sociais e inter-regionais. Devem-se aumentar as chances de ingresso, justamente, daqueles com mais dificuldade de acesso à educação formal em universidades convencionais, bem como, disponibilizar oportunidades de educação não formal.
A situação atual é preocupante, principalmente, para a maioria dos jovens pobres em situação de risco vivendo em cidades com pouca ou nenhuma infra-estrutura de equipamentos de esporte, cultura e lazer. Grande parte abandonou a escola ou a freqüenta (sem garantia que estejam, de fato, aprendendo) com significativa defasagem série/idade, e, apesar de buscarem, não conseguem emprego. Isso se deve, em grande medida, a pouca atratividade escolar, insuficiência na oferta de cursos profissionalizantes e orientação profissional e baixa efetividade das políticas públicas voltadas especificamente para esse segmento.
De maneira geral os governos estaduais e municipais ainda não priorizaram políticas públicas específicas para a solução dos problemas enfrentados pelos jovens. Há algumas ações pontuais na área social ou de segurança, mas, sem maior alcance e visão de médio e longo prazo. Neste ponto merece atenção especial a formação de jovens qualificados em um sistema de educação profissional continuada diretamente voltado à demanda do mercado.
Na realidade os jovens, em especial de baixa renda, são lançados à própria sorte vítimas e atores da violência urbana apontada nos indicadores sociais. São, também, vulneráveis à gravidez precoce indesejável e baixa autoestima sem contar com interlocutores que os auxiliem a buscar alternativas. Na origem do problema estão as famílias desestruturadas e a ausência da escola de qualidade para atrair e reter esse jovem no espaço de formação além do exíguo horário de aula.
O Brasil ainda não compreendeu a importância da sua infância e juventude na formação da cidadania, e, como conseqüência, as expõe à própria sorte: o problema é estrutural e começa pelo descaso com as crianças. O trabalho infantil, embora não seja fenômeno novo visto que desde o início da colonização crianças negras e indígenas eram incorporadas ao trabalho, é um dos principais desafios sociais e seu combate tarefa complexa. O cenário melhorou com o desenvolvimento econômico e intensificação, a partir do fim da década de oitenta, de medidas jurídicas, políticas e sociais visando à proteção contra o trabalho infantil.
Nesse contexto alguns pontos para reflexão: a) necessidade de atualização de dados e mapeamento das regiões e localidades com maior índice de trabalho infantil; b) fortalecimento das instituições sociais que desenvolvem ações direcionadas à formação educacional de crianças carentes; c) intensificação da avaliação e controle dos programas sociais direcionados às famílias de baixa renda nos municípios brasileiros, como a Bolsa Família, a Bolsa Criança Cidadã e o Programa Saúde da Família.
PROPOSTAS DE SOLUÇÃO
Políticas públicas para setores vitais da sociedade brasileira carecem de planejamento e gestão eficazes, prevalecendo a improvisação entre diversos setores e esferas do poder governamental. A área social apresenta carência generalizada: educação, saúde, segurança, habitação, saneamento e trabalho. Essa situação se reflete na precária infra-estrutura – estradas, ferrovias, portos e aeroportos, escolas e hospitais. O PAC e o PDE são boas medidas, mas ainda representam tentativas insuficientes em busca de acertos.
Na educação o diagnóstico é bem conhecido e dispensa-se replicá-lo à exaustão. Somente uma minoria privilegiada de 12% da população entre 18 e 25 anos chega ao nível Superior. Não podemos nos render ao fatalismo nem deixar o paroxismo engessar nossas ações.
O Brasil tem soluções para os problemas estruturais e apostamos na mudança e conscientização coletiva de que não é possível persistir o impasse atual. Dispomos de recursos humanos, financeiros, tecnológicos e farta criatividade, no entanto, urge estabelecer claramente prioridades e executá-las de forma eficiente e continuada. Basta começar, seriamente, pelo mais grave: educação de qualidade em regime de tempo integral. Nesse aspecto a Educação a Distância constitui manancial de soluções ainda não utilizado em sua potencialidade.
Queremos que nosso clamor ganhe voz e vez perante os futuros dirigentes, em especial da Presidência da República que tem gerido com eficiência a área econômica e financeira. Queremos que tal desempenho e prioridade cheguem à área social e educacional replicando-se as práticas inerentes ao modelo econômico com as devidas peculiaridades e adaptações. Soluções existem sem abandonarmos o êxito da economia: basta reverter a prioridade que transformará o País rentista em um Brasil instruído.
Nossa história reconhece poucos dirigentes associados a grandes realizações: Getúlio Vargas implantou as bases e deu início ao bem sucedido processo da industrialização; Juscelino Kubitschek ampliou estes caminhos e construiu Brasília. O Presidente Lula cravou seu nome ao diminuir desigualdades e retirar 30 milhões da pobreza. Agora, o espaço do País se firmar pela Revolução da Educação Básica de Qualidade continua aberto.
Queremos participar da solução dos problemas mencionados. Para isso, propomos instrumentos de diálogo entre o governo e a sociedade sem desconsiderar os espaços políticos existentes constitucionalmente estabelecidos. Eis aqui uma alternativa a mais, sem partidarismo, refrega ideológica ou interesses econômicos comprometedores. Queremos somar ações para multiplicar resultados e dividir responsabilidades para diminuir o sacrifício do povo brasileiro.
Precisamos mobilizar a juventude que deseja participar da real solução dos problemas como maneira de fortalecer a democracia brasileira de apenas 25 anos – idade média da maioria dos atuais universitários nascidos no limiar da Nova República. Não é mais possível adiarmos indefinidamente a derrota do crônico problema da qualidade na educação, solução definitiva para o País se agregar às Sociedades da Aprendizagem, da Informação, do Conhecimento e da Inovação. A educação de hoje e do amanhã, é, e será o futuro das nossas crianças e a certeza de um Brasil mais solidário, competente solidamente desenvolvido.
A complexidade das questões aqui abordadas exige a gestão integrada das políticas públicas. Historicamente, a prevalência da vertente econômica tende a conflitar com outras áreas de governo, enquanto a atual estrutura fortemente setorializada dos Ministérios dispersa e sobrepõe ações que obteriam melhor resultado se operacionalizadas de forma integrada. Todavia, é possível construir uma visão holística comum de nação na qual a interação sistêmica gere bons resultados retratando a conectividade e compromisso entre diversos atores e setores.
Aí está, em nossa visão, o papel estratégico das Sociedades Científicas como a ABED, colaborando com as ações do governo na construção e articulação de pactos que ultrapassem o limite mínimo de mandatos quadrienais. Políticas públicas efetivas exigem continuidade e prazo, do contrário o País perde a capacidade de reinventar-se e construir o futuro. Essa fórmula caracterizada pela continuidade e conseqüência a políticas de Estado foi responsável pelo sucesso alcançado na educação nos países citados.
Para nós, o futuro não é apenas uma categoria a ser estudada em profundidade; representa, acima de tudo, construir e alimentar a esperança.
A ABED propõe a utilização da EAD para cada nível e ciclo de aprendizagem colaborando efetivamente para a clamada Revolução da Educação de Qualidade.
A implementação desta Revolução exigirá um pacto democrático, com construção de mecanismos que, sem ferir a autonomia e a colaboração essenciais do Sistema Federal, dos Sistemas Estaduais e do Distrito Federal e dos Sistemas Municipais previstas na Constituição Federal e ratificadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, permitam as providências, de indispensável caráter emergencial, a serem tomadas em tempo pré-determinado, sob a coordenação de um órgão que reúna paritariamente o Poder Público, a iniciativa privada e a sociedade civil organizada.
Brasília 1° de novembro de 2010.
Prof. Dr. Fredric Michael Litto Presidente
Clique aqui para acessar o conteúdo da
Carta da ABED entregue pessoalmente aos Presidenciáveis em 23 de
setembro de 2010, por ocasião do debate realizado na Universidade
Católica de Brasília.
Associação Brasileira de Educação a Distância – ABED
Rua Vergueiro, 875 -12º andar Conjuntos 121 a 124 Bairro Liberdade CEP 01504-001 São Paulo - SP
Rua Vergueiro, 875 -12º andar Conjuntos 121 a 124 Bairro Liberdade CEP 01504-001 São Paulo - SP
Tel.: +55 11 3275.3561 ▪ Fax: +55 11 3275.3724
e-mail: abed@abed.org.br
www2.abed.org.br
[1]
Agradecimentos à colaboração dos alunos do Curso sobre "Estudos do
Futuro no Brasil" da UnB, que discutiram nos últimos semestres letivos a
questão educacional e contribuíram com ideias para a redação desta
proposta.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
BLOG DA PROFª LAUDICIÉIA
Hoje visitei o blog da professora Laudicéia. De imediato dei de cara com a bela foto das alunas do colégio Felicidade remontando a mama África com a belíssima frase do Mandela, além de observar que trata-se de um blog super engajado. Gostei mesmo Lau!
Coloquei um link para visitação:
http://laudibotafogo.blogspot.com.br/quinta-feira, 28 de junho de 2012
Curso Mídias Avançado - 3ª Oferta
Aproveitei meu blog que utilizo para falar do que
eu faço como docente para interferir no Curso Mídias Avançado. Este espaço vou
utilizar para relatar esta minha experiência, minha opinião pelo curso e também
falar das experiências de meus pares.
Inicialmente falarei, com prazer, de Jacobina,
conhecida como cidade do ouro, presépio da chapara, entre outros, devido a sua geografia
acidentada inundada de serras, cachoeiras e inúmeras nacentes de água. Há
vários sites sobre Jacobina. Aqui vai o site oficial do município:
http://www.jacobina.ba.gov.br/
![]() |
| Vista parcial de Jacobina-ajak-photos.blogspot.com |
![]() |
| Igreja das Missões |
sexta-feira, 15 de junho de 2012
CURSO INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DIGITAL EM GENTIO DO OURO-IRECÊ-BAHIA
Professores do Colégio Estadual Maria Quitéria durante os encontros do curso Introdução à Educação Digital. Foram vários encontros em março, abril e maio de 2012.
Chegar em Gentio não é nada fácil. São quase 380 Km de estrada. Cansativo? Sim, contudo gratificante. Saio de Jacobina por volta das 7h da manhã, de "van", passo por Irecê 10h e 11h sigo para Gentio, chegando às 14h para iniciar o curso.Tem um atalho para Gentio que é seguir pelo distrito de Mirorós - local no meio do sertão com agricultura irrigada de banana, pinha e outras frutíferas comprometida atualmente pela seca que assola o nordeste - e enfrentar muita poeira, solavancos e uma bela paisagem que justifica o atalho.
Como de hábito, os docentes sempre acolhedores. Foram, aproximadamente, 50h de curso, 10h além do previsto. Apredemos como trabalhar com a planilha(Calc), editor de texto(Writer), elaboração de slides(Impress), internet, blogs, baixar vídeos, além de manusear um pouco mais a tv pendrive, etc.
Os professores também elaboraram dois projetos relacionado com as novas tecnologias para execuçõa neste próximos meses.
Desejo sucesso para os docentes de Gentio e guardo em mim as boas lembranças de todos lá do colégio, como o pessoal da cantina, da administração, emfim, foi mais uma experiência espetacular na minha vida de docente.
Como de hábito, os docentes sempre acolhedores. Foram, aproximadamente, 50h de curso, 10h além do previsto. Apredemos como trabalhar com a planilha(Calc), editor de texto(Writer), elaboração de slides(Impress), internet, blogs, baixar vídeos, além de manusear um pouco mais a tv pendrive, etc.
Os professores também elaboraram dois projetos relacionado com as novas tecnologias para execuçõa neste próximos meses.
Desejo sucesso para os docentes de Gentio e guardo em mim as boas lembranças de todos lá do colégio, como o pessoal da cantina, da administração, emfim, foi mais uma experiência espetacular na minha vida de docente.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
INCLUSÃO DIGITAL EM CANARANA-BAHIA
Segunda e terça, desta semana, estive em Canarana - distante 250Km de Jacobina, cidade onde moro há 40 anos - para a execução do curso Introdução à Educação Digital. Lá, como a maioria dos locais onde ando, trata-se de uma pequena cidade do ponto de vista da população, com 24.000 habitantes e dona de um clima quente. Não poderia ser diferente, uma vez que está na região do semi-árido nordestino, próxima da maior cidade daquela região:Irecê. Conheci pouco a cidade, mas já bastou pra gostar daquela terra. Quanto aos dois primeiros dias do curso: foram excelentes.
Os professores produziram muito para postar em um fórum criado para este curso, conheceram algumas ferramentas do Linux como o Tux Paint, o Writer, o Gerenciador de arquivos. Enfim, foi uma produção intensa. E o que me chamou mais atenção foi a disposição dos professores. Este, na minha opinião, foi o melhor ganho daqueles dois dias; eram 29 docentes para um laboratório de 27 máquinas e todas funcionando conectadas na internet. Espero estar lá novamente nos dias 17 e 18 de outubro com todos os docentes presentes. Bem, já a receptividade também não deixou a desejar: o lanche preparado pelas funcionárias do colégio (beijú com manteiga, um cafezinho no ponto, um suco, etc), a direção, os professores, o ambiente. Não esqueci a biografia do colégio: Col. Est. José Ribeiro de Araújo, 1331 alunos, funcionam as modalidades Ensino Médio, Curso Técnico em Agropecuária, Agricologia e Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), além de 41 docentes, dos quais 29 estão realizando o curso. Abraços e espero todos para o próximo encontro.
Os professores produziram muito para postar em um fórum criado para este curso, conheceram algumas ferramentas do Linux como o Tux Paint, o Writer, o Gerenciador de arquivos. Enfim, foi uma produção intensa. E o que me chamou mais atenção foi a disposição dos professores. Este, na minha opinião, foi o melhor ganho daqueles dois dias; eram 29 docentes para um laboratório de 27 máquinas e todas funcionando conectadas na internet. Espero estar lá novamente nos dias 17 e 18 de outubro com todos os docentes presentes. Bem, já a receptividade também não deixou a desejar: o lanche preparado pelas funcionárias do colégio (beijú com manteiga, um cafezinho no ponto, um suco, etc), a direção, os professores, o ambiente. Não esqueci a biografia do colégio: Col. Est. José Ribeiro de Araújo, 1331 alunos, funcionam as modalidades Ensino Médio, Curso Técnico em Agropecuária, Agricologia e Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), além de 41 docentes, dos quais 29 estão realizando o curso. Abraços e espero todos para o próximo encontro.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
UM DOMINGO PRA NÃO ESQUECER
Eu
sou professor há mais de 15 anos, e, sinceramente, não sei o que está se
passando com os jovens que atentam contra qualquer ser humano de forma
gratuita, assim, de uma hora pra outra. Num sopro rápido a violência é
desferida contra o outro, com palavras, socos, pontapés e, sem volta, com um
tiro detonado vai-se uma vida.
Hoje,
28 de setembro de 2011, num domingo, já pela entrada da noite, a tv noticiou um
crime contra uma professora, desferido por uma criança, na sala de aula, de
apenas 10 anos, na última quinta dia 22, lá no interior de São Paulo. Fiquei surpreso e assim espero sempre
me comportar, como quem nunca quer aceitar um modo tão selvagem, sem dor, sem
piedade, sem amor, sem consciência ao atacar um outro, um outro ser humano.Eu não sei qual a real situação daquela criança que não teve o mesmo destino que a professora, infelizmente. Seu destino foi o próprio suicídio que se impôs, como se madura, fria ou consciente dessa situação logo após o disparo na professora.
Eu não quero crer até este momento que estou vivendo esta realidade. Busco em minha volta um monte de explicações. Acho que, naquele momento, não se passava na mente daquela criança dimensão alguma da realidade mais simples que poderia existir.
Queria,
naquele momento, interromper tal ato. Como poderia? Não sei. Impotente, aqui, fico diante
desta tragédia. Falam-me em falta de amor nas relações entre as pessoas, da
falta de solidariedade, de amizade, de companheirismo.
Falam
da falta de pequenos gestos como um simples cumprimento traduzido em um singelo
bom dia, um oi, como vai. Vão mais longe me dizendo da falta de um sentimento
que soa como careta nos dias de hoje: o amor. Parece-me que esta palavrinha só
é aceita onde já há. Neste ambiente a violência passa longe.
Mas
a causa mesmo é a ausência de amor? Causa ou não, sei que ele bem cultivado impede um monte de
besteiras que fazem aos outros. Isso mesmo, as besteiras causadas por um
bestial sentimento que aflora em cada um.
Acho
que a escolha, assim, ao acaso, por quem se quer como companheiro ou companheira,
é o início dessa grande aventura do amor. No momento da escolha ele brota, sem arrodeio,
cercas ou preconceitos. Do que daí nasce não é infortúnio, é um campo fértil
para cultivá-lo. Desde o seu nascimento, acho eu, a criança precisa ser amparada por quem está ao seu lado. Ora, vejo isso incessantemente na natureza, vindo de seres que palavra alguma nasce, a não ser através de seus atos instintivos de proteção contra o inimigo selvagem.
Mas, mesmo esta proteção selvagem e instintiva é esquecida por quem deveria fazê-la. Como cobrar um sentimento de proteção, de harmonia, de solidariedade, de paz, de amor, de quem nunca experimentou?
O amor, gosto quando expressam num abraço, num sorriso, num aceno sorridente, no falar tranquilo de uma roda de rapaziada conversando descontraidamente de forma espontânea, sem xingamentos ou grosserias.
Precisam, eles, crescerem me vendo assim desarmado com os outros sem vergonha alguma de parecer-me careta ou pagando algum mico. Tento me fazer de timoneiro sem me parecer guia espiritual ou guru fechado isolando-me dos outros sob pretexto de pureza religiosa.
Mas sei que vitrine alguma hoje é mais poderosa do que a das aparências. Não me iludo em momento algum de que é mais forte o que a mídia traduz como sucesso do que a simplicidades ou humildade oriunda de um gentil desconhecido.
Se assim me dizem que sempre foi assim e que é uma herança que carregamos, derrotados então já somos. Não creio. Creio que, sob pretexto de destino protetor, alguém se apossa de uma comunidade ou nação subestimando a quem por obrigação deveria assistir. Estes são os exemplos ostentados pela mídia, alimentada por quem a escolhe como escudo e exemplo.
Tudo se mistura quando se busca respostas para algum fato descabido, despropositado, aparentemente nascido do nada. Povoa em cada um sua própria situação de pai, de mãe. Povoa que cidade grande não mais é lugar de gente e sim de competição, de insegurança, de violência.
Talvez uma proximidade, principalmente a que precisamos estar fisicamente mais juntos dos filhos, seja uma saída para esta situação. Talvez seja o momento de um retorno do homem de onde saiu, onde todos se vejam mais tempo, se olhem mais, se abracem mais. Antigos hábitos cultivados como as horas de almoço e café juntos fortaleçam as relações. Andar ao lado, literalmente, do filho talvez possa livrá-lo de algum destino trágico e somente soltá-lo quando estiver pronto para um longo voo, como fazem, os animais.
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